8 mitos e 7 verdades sobre o autismo

por Colégio Paulicéia

O Autismo ou os Transtornos do Espectro Autista (TEA) apesar de já ser visto com muito mais naturalidade hoje em dia, ainda é um tema que levanta muitas dúvidas, especialmente naquelas pessoas que não têm ou tiveram a oportunidade de conviver com pessoas no TEA.

Nesse contexto, existem muitas “lendas” que dificultam o entendimento sobre a questão e acabam contribuindo para aumentar ainda mais o preconceito e a dificuldade da inclusão, seja para as pessoas com TEA quanto para suas famílias.

Por isso, preparamos essa lista com 8 mitos e 7 verdades sobre o autismo. Leia, informe-se e compartilhe essas informações com seus amigos, familiares ou quem você quiser. Vamos juntos acabar com a desinformação!

Mitos 

1 – Autistas vivem num mundo próprio e não entendem o que se passa ao seu redor

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) caracteriza-se por um conjunto heterogêneo de alterações comportamentais com início precoce, atingindo principalmente as áreas de linguagem e socialização. O mundo dos autistas é o mundo de todos nós e para auxiliá-los de forma mais efetiva devemos usar técnicas comportamentais que são as mais indicadas e, diga-se, excelentes para o aprendizado de todas as crianças.

2 – É autista pois a mãe não gosta dele ou por causa do ambiente familiar

Um dos mitos mais perigosos, pois coloca uma enorme pressão na mãe e na família do autista, e não tem nenhuma base científica. A condição é causada por questões orgânicas, na maioria das vezes, por conta de alterações genéticas. Colocar a culpa na “falta de amor” da mãe ou no ambiente familiar, por mais complicado que possa ser, é um absurdo e uma crueldade, que só serve para gerar uma enorme quantidade de mães culpadas e frustradas. Vamos acabar com essa bobagem!

3 - Autistas não gostam das pessoas

Não só gostam como sentem falta, saudade e apreciam o prazer da companhia. O que acontece é que, como já mencionado, eles têm dificuldade de se expressar e acabam sendo afastados, por não conseguem agir da forma esperada por uma pessoa que não tenha o transtorno.

4 - Autistas não gostam de carinho

É fato que muitos não gostam de contato físico e se sentem invadidos ou incomodados com demonstrações de carinho. Porém, o grande problema é que eles têm muita dificuldade de expressar afeto, mas isso não significa que não gostem de carinho. Carinho faz bem para qualquer pessoa, certo? 

5 - A vacina tríplice pode causar o transtorno

Outra bobagem sem nenhuma comprovação científica e que só serve para contribuir para o aumento das doenças combatidas pela vacina tríplice (sarampo, rubéola e caxumba). Esqueça isso! Vacinas não fazem mal!

6 - Autistas são superinteligentes

Depois do filme Rain Man, muitas pessoas passaram a acreditar que os autistas são gênios. Na verdade, eles formam um grupo muito heterogêneo e cada uma é de um jeito. Mas apenas cerca de 10% podem ser considerados superinteligentes ou acima da média, com uma capacidade mental específica mais desenvolvida:  matemática, memória, domínio de tecnologia, pintura, música etc.

7 – Internação é a solução, pois somente uma instituição especializada saberá cuidar dele

Quanta bobagem, não é mesmo? É claro que existem exceções e que o autista deve ser acompanhado de um corpo clínico especializado, mas ele pode e deve ser acolhido dentro do seu ambiente familiar. Para isso, os parentes precisam ter informações sobre a condição e aprendam a gerenciar o convívio no dia-a-dia.  Na verdade, é importante que a família tenha condições (e não estamos falando de finanças) de contribuir para o bem-estar do indivíduo autista, e que possa ser uma extensão do tratamento clínico ao qual ele esteja submetido.

8 – Todo os psicopatas são autistas

Outro mito perigoso, preconceituoso e que nem valeria a pena ser mencionado. Psicopatas são pessoas com graves distúrbios de personalidade e que, com frequência, se envolvem com a criminalidade. Autistas de modo geral não são agressivos e apenas percebem e interagem o mundo de uma maneira diferente. Realmente, essa comparação é um enorme absurdo!

Verdades

1 - Autistas têm problemas de comunicação, interação social e comportamento repetitivo

Essas são as principais características dos indivíduos do espectro autista. Porém, elas variam de pessoa para pessoa e são bem conhecidos e documentados os casos em que elas se apresentam de forma mais leve.

2 – Existem várias formas de se tratar (e melhorar) os sintomas

A principal questão a ser observada nesse caso é que como se trata de uma condição que se apresenta de forma bastante heterogênea, qualquer forma de tratamento deve levar em consideração o indivíduo. Nas últimas décadas tem se considerado evidenciar que a intervenção analítica comportamental intensiva e precoce pode produzir mudanças significativas no comportamento das pessoas com TEA. Mas o amor, o carinho e a compreensão da família, dos amigos, dos professores e de todos os que convivem com o paciente são fundamentais par qualquer forma de tratamento escolhida.  

3 – Animais ajudam no tratamento

Cães, aves, gatos, cavalos, e até búfalos d´água (na Tailândia existe essa prática) podem sim ajudar no tratamento de pessoas com autismo. Assim como com os indivíduos sem o transtorno, o contato com animais aumenta os níveis de oxitocina, hormônio da empatia, que vem sendo estudado há alguns anos como auxiliar nos cuidados com a condição. Quem não gosta de um bichinho, não é mesmo?

4 - Tablets também podem auxiliar no tratamento

Alguns aplicativos abertos em tablets permitem que crianças autistas melhorem sua comunicação. A tela sensível ao toque é fácil de usar, chama a atenção pelas cores e animações e estimula a concentração. No Colégio Paulicéia, por exemplo, o uso dos tablets já é uma realidade, não só para os alunos com TEA. A escola foi uma das primeiras a adotar essa ferramenta, tanto nas aulas regulares quanto no Comunicação Alternativa (veja o texto anterior do blog) e os resultados têm sido bastante satisfatórios.

5 - Autismo pode ser hereditário

Segundo os especialistas, de todas as condições de origem psiquiátrica, o autismo é a que possui as maiores particularidades genéticas. O TEA pode ser transmitido pelos herança genética dos pais ou ainda aparecer durante mutações espontâneas, durante o processo de divisão das células do indivíduo. 

6 – Autistas podem gritar, espernear, se debater e provocar grandes confusões a seu redor

Vamos ser honestos: no caso de crianças, qualquer uma pode agir dessa maneira, certo? A grande diferença para aquelas que são autistas é que essas costumam não tolerar ambientes muito estimulantes e/ou que não lhes são familiares. Lembram-se dos acessos do personagem autista no filme Rain Man? Qualquer mudança na rotina pode desencadear esse processo. Cabe aos adultos que convivem com as crianças autistas, seja em casa, nos consultórios ou ainda na escola, aprender a lidar essas situações e “educar” as outras pessoas sobre a questão.

7 - Não há cura para o autismo

Infelizmente essa é a realidade. O TEA é um transtorno do desenvolvimento que pode gerar diferentes graus de comprometimento, variando de indivíduo para indivíduo. Isso não quer dizer que as pessoas com autismo não possam ter uma vida “normal”. Para todos os graus existem formas de tratamento e elas são fundamentais. Cabe também às famílias, aos profissionais de saúde, às escolas e a todos aqueles envolvidos com a questão, entender a complexidade do tema e trabalhar para a inclusão cada vez maior de todos os que são acometidos dessa condição.

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